REFORMA INTERIOR
A dor do desafeto me fazia desejar de novo
a minha condição de feto.
O anseio pelo abrigo da placenta era só
uma fuga de uma fase torturante.
Eu buscava novamente um local
aconchegante.
Pensava... (de novo nascer)... (outro
viver).
Mas antes eu precisava morrer.
E não se morre de dor, por mais forte que
ela seja.
E vivia nesta peleja.
Morrer me separaria de tantos seres
amados.
Não queria ir... mas ficar?
Tanta dor suportar?
Era assim que eu vivia quando um mal maior
me chegou.
Algo terrível que me mostrou...
Sim...
... mostrou que eu estava sendo tola.
... que a vida é linda.
... que viver sempre vale a pena.
Sobrevivi a esta doença que me chegou.
Ela veio com toda a sua violência.
E eu precisava de paciência.
E tive.
Hoje estou aqui.
Superei o desafeto, a dor, o mal cruel.
E descobri que a vida pode ter a doçura do
mel.
Se bem que às vezes necessitamos provar o
seu fel.
sonia delsin

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